Tava me lembrando de um episódio que presenciei há alguns dias atrás, na catraca do ônibus, em Recife: uma senhora dizia para sua filha, que aparentava no mínimo uns 10 anos, passar por baixo da catraca (crianças até cinco anos não pagam passagem, pelo regulamento da cidade do Recife). O cobrador disse à mulher que a menina não podia fazer aquilo, por ser maior do que os cinco anos, e a mulher retrucou, fez um escândalo dizendo que não era - o cobrador perguntou pelos documentos da menina e a mulher disse que havia "esquecido". Fim das contas: a mulher permaneceu no ônibus normalmente e a menina não pagou a passagem.
É bem comum no Brasil ver o pessoal reclamando de corrupção - justíssimo, sem sombra de dúvidas. O problema é que pouca gente lembra que ninguém é plenamente isento de atos maliciosos do tipo, seja na inocência ou na má fé. Não adianta demonizar a figura do político, ele é brasileiro como qualquer um de nós - só tem um poder bem maior que o nosso, e talvez por isso os abusos sejam igualmente mais significativos. Não adianta pedir impeachment, cassação ou perda dos direitos políticos: querendo ou não, fomos nós que os colocamos no poder. Brasileiro é um povo engraçado. Tenho visto, e cada vez mais, motoristas avançando no sinal vermelho, gente furando a fila na maior cara de pau, encontrando pertences e não devolvendo, comprando e não pagando, vendendo e não entregando, debochando e trapaceando. Porque brasileiro é malandrão, brasileiro não precisa seguir regras nem leis, basta ser o país do futebol e do carnaval... bom, só do segundo agora.
Mas, depois, essa mesma galera reclama do governo e diz que está tudo errado, somente que quem está lá em cima só reflete a grande maioria, o que ela faz ou gostaria de fazer. Ou será que não? Talvez não e eu esteja sendo mau caráter por pensar assim... Da próxima vez que você receber um troco maior do que o que deveria receber e se achar o espertão por não devolver, lembre dos seus discursos de política no Facebook e ponha a mão na consciência.
