sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Tudo se resolve na base da conversa?

"A presidente Dilma Rousseff condenou os ataques aéreos na Síria pela coalizão liderada pelos Estados Unidos, iniciados na noite de segunda-feira para desmantelar a organização terrorista Estado Islâmico (EI) e combater células da rede al-Qaeda."

Uma seita que prega o islamismo como a única religião verdadeira e pretende converter todo o mundo decapita jornalistas de diversos países ocidentais e envia os vídeos à cúpula do maior governo do planeta que, segundo a seita, é a fonte de toda a violência que eles pregam. O presidente norte-americano chega à conclusão (meio óbvia, eu diria) de que a seita representa uma real ameaça aos cidadãos de todo o mundo e forma uma coalizão com outros países ocidentais, de modo a deter o avanço da seita e cortar o mal pela raiz. 

Eis que a presidente de um país tropical querida Dilma, o quinto maior em extensão territorial e em população, além da sexta maior economia, repudia o ato de formação da coalizão, sob o pretexto de que "tudo se resolve na base da conversa".

Pode até ser gigante pela própria natureza, mas em termos diplomáticos o tal país tropical continua sendo um anão.

A base da conversa dos islâmicos

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O gigante acordou?


192 anos desde a independência do Brasil como colônia portuguesa. Talvez o feriado do 7 de setembro tenha sido uma das maiores piadas de mau gosto da nossa história... Não basta ter caído num domingo.


Vamos lá: quem decretou a independência do país enquanto colônia portuguesa foi o então imperador português, D. Pedro I, que havia vindo à nossa Terra Brasilis borrando as calças de medo da expansão francesa, liderada por Napoleão Bonaparte. E quem continuou sendo imperador? Isso mesmo: D. Pedro I, no nosso pedaço de mundo. Nosso país ainda era fortemente escravagista, enquanto todos os outros países da América do Sul haviam libertado seus escravos e já declaravam-se repúblicas livres do domínio espanhol - nós, frise-se, ainda éramos da monarquia (repito, de um português). O domínio escravocrata continuaria até 1888, quando a Princesa Isabel assinaria a Lei Áurea, depois de no mínimo quatro décadas de pressão por parte dos ingleses para que os escravos fossem libertos - tudo isso para fins comerciais, obviamente, já que escravo não ganha dinheiro e, portanto, não compra as maravilhas que a Inglaterra produzia na Revolução Industrial.

Um ano depois, a proclamação da República... onde quem governava não era eleito por voto direto, e quem estava no poder era sempre alguém ligado ao Exército e/ou à alta burguesia. São Paulo e Minas Gerais brincaram de "batata quente" até 1930 - aí começou a ditadura de Getúlio, na onda dos governos totalitários que floresciam em toda a Europa, inclusive aqui na Alemanha (e, bom, vocês sabem no que deu). Mal saímos da ditadura getuliana, JK inseriu uma política de aceleração do desenvolvimento do país... e nos endividou de tal forma que só conseguimos nos recuperar na última década.

Eis que - PLAU - outro golpe, dessa vez militar, com cinco diferentes sujeitos (e toda a sua corja, claro) mandando e desmandando no que achavam que deviam. Muitos de vocês viveram nessa época (diferentemente de mim) e podem contar essa história muito melhor que eu. Mal recuperamos a ~~democracia~~ e já um impeachment de um presidente eleito com uma margem de votos altíssima sobre seus concorrentes. E nos últimos 20 anos, tivemos apenas três diferentes presidentes - sendo que quem colocou a Dilma no posto foi o Lula, sem sombra de dúvidas, e sem ele ela não chegaria lá nem fodendo.

O que penso é o seguinte: o povo brasileiro é um povo sem história. Somos acomodados demais, e quando a revolta resolve acontecer ela se dá do modo mais ridículo possível, pelos motivos mais banais possíveis. As revoltas de junho do ano passado (eu li o absurdo de gente comparando com a Queda da Bastilha ou a Revolução Bolchevique!) demonstraram que a gente tem, sim, vontade de mudar, mas não sabe como nem quando.

O gigante acordou? Talvez. Mas ele ainda é meio abobalhado, pra dizer o mínimo.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O Brasil que fala do político corrupto

    Tava me lembrando de um episódio que presenciei há alguns dias atrás, na catraca do ônibus, em Recife: uma senhora dizia para sua filha, que aparentava no mínimo uns 10 anos, passar por baixo da catraca (crianças até cinco anos não pagam passagem, pelo regulamento da cidade do Recife). O cobrador disse à mulher que a menina não podia fazer aquilo, por ser maior do que os cinco anos, e a mulher retrucou, fez um escândalo dizendo que não era - o cobrador perguntou pelos documentos da menina e a mulher disse que havia "esquecido". Fim das contas: a mulher permaneceu no ônibus normalmente e a menina não pagou a passagem.

É bem comum no Brasil ver o pessoal reclamando de corrupção - justíssimo, sem sombra de dúvidas. O problema é que pouca gente lembra que ninguém é plenamente isento de atos maliciosos do tipo, seja na inocência ou na má fé. Não adianta demonizar a figura do político, ele é brasileiro como qualquer um de nós - só tem um poder bem maior que o nosso, e talvez por isso os abusos sejam igualmente mais significativos. Não adianta pedir impeachment, cassação ou perda dos direitos políticos: querendo ou não, fomos nós que os colocamos no poder. Brasileiro é um povo engraçado. Tenho visto, e cada vez mais, motoristas avançando no sinal vermelho, gente furando a fila na maior cara de pau, encontrando pertences e não devolvendo, comprando e não pagando, vendendo e não entregando, debochando e trapaceando. Porque brasileiro é malandrão, brasileiro não precisa seguir regras nem leis, basta ser o país do futebol e do carnaval... bom, só do segundo agora.

Mas, depois, essa mesma galera reclama do governo e diz que está tudo errado, somente que quem está lá em cima só reflete a grande maioria, o que ela faz ou gostaria de fazer. Ou será que não? Talvez não e eu esteja sendo mau caráter por pensar assim... Da próxima vez que você receber um troco maior do que o que deveria receber e se achar o espertão por não devolver, lembre dos seus discursos de política no Facebook e ponha a mão na consciência.


domingo, 7 de setembro de 2014

Igrejas e babaquice

Você é da Universal?

Você enche bolso de pastor na esperança de resguardar seu lugar no céu (independente da sua fé)?

VOCÊ É OTÁRIO, meu amigo. OTÁRIO. O dinheiro é seu e você faz o que você quiser com ele, mas lembre-se sempre desse vídeo a cada vez que você for pagar seu dízimo: os espertos dessa história toda tão torrando sua grana em coisas que não têm absolutamente nada a ver com a igreja ou sua espiritualidade - e ainda tão rindo da sua inocência na cara de pau.

Igreja virou um negócio fácil demais no Brasil... com um investimento relativamente baixo você abre a sua, não precisa declarar impostos e sempre tem quem invista sua fé nelas, já que elas se garantem pela boa fé de pessoas que acreditam em qualquer coisa. O ramo evangélico no Brasil cresce a níveis absurdos e não é à toa: tem quem queira ficar rico, tem quem deixe esses poucos ricos.

Até hoje eu não entendo como estas pessoas, e outras ainda dão dinheiro, inclusive todo o seu dinheiro para igrejas como a Universal. A mim pouco importa sua crença, mesmo. Cada um tem o direito de acreditar no que quiser (ou até mesmo não acreditar em nada). Mas fica o conselho de amigo: não seja feito de otário.

Esse é um clássico

E você continua sendo otário? Sério?



sábado, 6 de setembro de 2014

O desafio do Balde de Gelo

Sério.

O motivo pelo qual tantos famosos e pessoas no seu Facebook têm despejado baldes de água fria sobre si mesmos é uma forma de chamar a atenção a uma doença chamada esclerose lateral amiotrófica (ELA), ou Síndrome de Lou Gehrig. É uma doença (inclusive faltal) que ataca o sistema motor do corpo, paralisando todos os músculos do movimento e, no entanto, mantendo as faculdades mentais dos pacientes intactas. Pouquíssimo se sabe sobre ela ainda, embora muito já tenha sido feito no que diz respeito à melhora da qualidade de vida dos pacientes. A Síndrome de Lou Gehrig tem esse nome em homenagem a um jogador americano de baseball, Henry "Lou" Gehrig, recordista no número de grand slams do esporte e o primeiro caso famoso da doença. Outros casos incluem o ex-baterista do Iron Maiden, Clive Burr (falecido ano passado devido a complicações da mesma) e o ex-guitarrista do Cacophony e da banda de David Lee Roth, Jason Becker.

No entanto, um cara em especial chama a atenção quando falamos na ELA: Stephen William Hawking, dono da cátedra de professor lucasiano em Cambridge até 2009 (mesmo posto já ocupado por nomes como Isaac Newton, Charles Babbage e Paul Dirac). Provavelmente o nome mais proeminente em busca da Teoria de Tudo, nome que se deu à tentativa de unificação das teorias da Relatividade Geral (proposta por Albert Einstein em 1915) e da Mecânica Quântica (evoluída das ideias de Max Planck, publicadas em 1900), Hawking tem um trabalho notável no estudo dos buracos negros, tendo descoberto a radiação emitida por eles (hoje batizada radiação Hawking em sua homenagem) e a mecânica deles em si.

Tem muito físico que torce o nariz pra ele (com certa razão, eu diria) pelo fato de a ELA ter se tornado maior que seu trabalho. No entanto, creio que a Física tenha também seus "popstars", além do gênios que se encontram no dito underground. Hawking é, sim, um popstar; mas em termos de Cosmologia (área na qual ele é doutor, frise-se) ninguém chega no topo por acaso. Fico feliz pela iniciativa da ALS Foundation na elucidação da doença ao grande público, bem como (e acreditem ou não, esse é o motivo desse post huahauahua) do filme que está pra ser lançado contando uma parte da biografia dele. Particularmente, estou bastante ansiosa pela recepção que ele possa vir a ter - e que não seja só um filme bonitinho sobre a vida de um cara que luta contra sua doença (o próprio Hawking diz que a doença o livrou da rotina enfadonha que a humanidade tem que enfrentar), mas sim a de um físico extraordinário, uma das grandes mentes vivas em nosso tempo.
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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Índios kaapor

"Índios atacam madeireiros no Maranhão"

Se nem o IBAMA, nem a Funai, nem a Polícia Federal, e nem mesmo o Exército Brasileiro dão jeito, os índios kaapor vão lá e dão. Justo? Justíssimo. Essas árvores são minhas também, são de todo brasileiro e, acima de tudo, são patrimônio de toda a Humanidade. Não é de nenhum madeireiro filho da puta que vai lá e mete a mão no que não deve não.

Ah, um adendo: ainda bem que os kaapor não tem Facebook ou acesso à internet pra ler o pessoal dos direitos humanos e suas críticas à "justiça com as próprias mãos". Peguem a cartilha dos direitos humanos de vocês e enfiem no...




saco de lixo.



"Estamos fazendo isso porque são teimosos e voltaram" 
- Índios kaapor

HAHAHAHAHA, digno.



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