192 anos desde a independência do Brasil como colônia portuguesa. Talvez o feriado do 7 de setembro tenha sido uma das maiores piadas de mau gosto da nossa história... Não basta ter caído num domingo.
Vamos lá: quem decretou a independência do país enquanto colônia portuguesa foi o então imperador português, D. Pedro I, que havia vindo à nossa Terra Brasilis borrando as calças de medo da expansão francesa, liderada por Napoleão Bonaparte. E quem continuou sendo imperador? Isso mesmo: D. Pedro I, no nosso pedaço de mundo. Nosso país ainda era fortemente escravagista, enquanto todos os outros países da América do Sul haviam libertado seus escravos e já declaravam-se repúblicas livres do domínio espanhol - nós, frise-se, ainda éramos da monarquia (repito, de um português). O domínio escravocrata continuaria até 1888, quando a Princesa Isabel assinaria a Lei Áurea, depois de no mínimo quatro décadas de pressão por parte dos ingleses para que os escravos fossem libertos - tudo isso para fins comerciais, obviamente, já que escravo não ganha dinheiro e, portanto, não compra as maravilhas que a Inglaterra produzia na Revolução Industrial.
Um ano depois, a proclamação da República... onde quem governava não era eleito por voto direto, e quem estava no poder era sempre alguém ligado ao Exército e/ou à alta burguesia. São Paulo e Minas Gerais brincaram de "batata quente" até 1930 - aí começou a ditadura de Getúlio, na onda dos governos totalitários que floresciam em toda a Europa, inclusive aqui na Alemanha (e, bom, vocês sabem no que deu). Mal saímos da ditadura getuliana, JK inseriu uma política de aceleração do desenvolvimento do país... e nos endividou de tal forma que só conseguimos nos recuperar na última década.
Eis que - PLAU - outro golpe, dessa vez militar, com cinco diferentes sujeitos (e toda a sua corja, claro) mandando e desmandando no que achavam que deviam. Muitos de vocês viveram nessa época (diferentemente de mim) e podem contar essa história muito melhor que eu. Mal recuperamos a ~~democracia~~ e já um impeachment de um presidente eleito com uma margem de votos altíssima sobre seus concorrentes. E nos últimos 20 anos, tivemos apenas três diferentes presidentes - sendo que quem colocou a Dilma no posto foi o Lula, sem sombra de dúvidas, e sem ele ela não chegaria lá nem fodendo.
O que penso é o seguinte: o povo brasileiro é um povo sem história. Somos acomodados demais, e quando a revolta resolve acontecer ela se dá do modo mais ridículo possível, pelos motivos mais banais possíveis. As revoltas de junho do ano passado (eu li o absurdo de gente comparando com a Queda da Bastilha ou a Revolução Bolchevique!) demonstraram que a gente tem, sim, vontade de mudar, mas não sabe como nem quando.
O gigante acordou? Talvez. Mas ele ainda é meio abobalhado, pra dizer o mínimo.
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