segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O aborto

A discussão pró/contra o aborto (ou simplesmente a abominação do aborto) nem deveria existir. Proibir o aborto obriga mulheres que, por qualquer motivo, não queiram ou não possam ter um filho a dar a luz; mas o direito a abortar a gestação não obriga ninguém a fazê-lo. É uma questão de direitos, apenas, e se posicionar contra o aborto é privar uma mulher da liberdade da escolha - e diferente do que muitos argumentam, muitas vezes a gravidez em si não é uma escolha... por exemplo, o estupro ainda é uma realidade muito presente no nosso país, infelizmente.  Também não pode ser uma questão religiosa, já que o artigo 5° deixa clara a laicidade do Brasil - e tornando a falar de direitos, entendam que, embora a nossa população seja massivamente católica, existe uma diversidade de credos gigantesca aqui, muito maior que na maioria dos países, e a laicidade existe para assegurar direitos iguais (outra garantia constitucional). Estamos falando de vida em sociedade e não achismo. O fato de você achar o aborto algo abominável não diz respeito a todas as mulheres; não quer abortar uma gravidez, não aborte. O que eu acho abominável é cercear um direito que deveria ser de todas as mulheres: o da escolha.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Limitações da mulher sobre o mundo machista

Cá estou eu procurando por indagações. E uma coisa que têm me chamado bastante atenção ultimamente, é sobre essa questão toda do debate e briga eterna entre o machismo x feminismo, padrões machistas da sociedade blá blá blá.

Quando as mulheres seguem padrões impostos pela sociedade machista: 

Você busca uma aparência que agrade homens, exclusivamente, a ideia de estar sempre bonita e agradável. E, querida, não me venha com papinho de que você se veste para sentir-se bem, porque ninguém nesse mundo usa um Oscar de La Renta para ver o Fantástico sozinha domingo à noite. E qualquer pessoa com bom senso sabe o que não agrada esses homens machistas:

-Cabelos curtos.
-Tatuagem que não seja de borboleta, estrelas, corações, sempre discretas.
-Mulher mais alta que o homem; (Prova é que se você ficar maior que ele com salto, ele vai ser contra você usar salto).
-Roupas folgadas, ou muito justa/curtas se você for a namorada dele.
-Estilo Próprio. Esse tipo de homem gosta de mandar no que você faz e não faz, então já sabe.

Claaaaaro que existem exceções, como os punheteiros que ficam horas a fio vendo Suicide Girls todos os dias. Ou homens que não são machistas e não precisam de uma mulher inferior e submissa. Mas se considerarmos o total de homens, as exceções são só uma ínfima parte. Então muitas mulheres mantêm-se numa certa limitação de aparência. Podem mudar a cor do cabelo, mas não podem cortar curto. Podem colocar piercings, desde não sejam muitos, e por ai vai...

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Reflexões confusas sobre liberdade de expressão

Toda essa história da Charlie Hebdo me faz pensar em algo que, por acaso, estava refletindo na semana passada, acerca da intolerância religiosa. Por um acaso a TV estava ligada no Faustão (é...) e, num desses quadros de humor, ou pelo menos que se esforçava em parecer engraçado, apareceu um cara aleatório vestido de Iemanjá. Tô bem longe de entender qualquer coisa de candomblé (e religiões afro, de um modo geral) e não sei até que ponto pessoas que sigam a religião, algumas das quais tenho em meu feed, tenham se ofendido com isso.

O ponto que eu levantei pra reflexão, naquela hora: e se fosse uma sátira a Jesus, Maria, algum dos apóstolos... enfim, qualquer personagem bíblico. Sabemos que elas existem aos montes por aí, em particular pela internet, e geralmente são achincalhadas sob o pretexto da tal "intolerância religiosa" um conceito muito mais parcial do que deveria ser, porque quando a sátira é na direção de uma crença que necessariamente não é a sua, tudo bem, é apenas humor.

Longe de mim apontar o dedo e falar que "essa tá certa", "essa tá errada", ninguém tem moral suficiente pra julgar a crença alheia nesse mundo. A grande questão aqui é: o mundo vai parar com esse tipo de humor, por vezes ofensivo a algumas pessoas, ou vai simplesmente parar de ser hipócrita e aprender a rir de si mesmo? Eu adoraria a segunda, mas a primeira é mais provável - embora eu já saiba que nenhuma das duas nunca ocorrerá e que continuaremos matando uns aos outros por coisa pouca... como uma charge, ou um programa de humor pastelão.

Neste vídeo que o humorista Rafinha Bastou compartilhou recentemente, só ouvi verdades.



Mas afinal, cadê a luta pela liberdade de expressão quando se trata de situação no nosso país? Confesso que também me deixou confusa a reação das pessoas em relação a esse ato de covardia na França. Rafinha Bastos, com muitas de suas piadas consideradas de mau gosto, eternamente julgado pela sociedade brasileira nada mais hipócrita. Enquanto Rafinha Bastos é considerado um babaca pelas suas piadas, os cartunistas da Charlie Hebdo foram transformados heróis da liberdade de expressão. Agora me pergunto, as piadas da revista francesa não era de mau gosto por quê? Claro que não justifica tamanha violência, alias nada justifica.

Apenas reflexões confusas.


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