sábado, 15 de agosto de 2015

TV Cultura? Ainda existe?

Me chamem de sem cultura, vou me ofender um bocado ó.

Negócio é o seguinte: 

Assim como você, que está aí fazendo campanha, eu também tenho memórias saudosas de Pingu e Castelo Rá-Tim-Bum. Eventualmente, ainda assisto o Roda Viva - pelo Youtube, claro - algo como uma vez por mês, quando estão entrevistando alguém mais interessante que algum sociólogo especialista nas relações interfamiliares do sudoeste da Martinica. É um dos últimos programas “de TV” que ainda busco ativamente, e vou ficar chateado se ele deixar de existir. Mas entre eu, que peço a morte, e você, que pede a “salvação” da TV Cultura, existe uma diferença. Eu sou capaz de assumir pra mim mesmo que, todo esse meu “amor” pela TV Cultura, no fim das contas, é só “pra inglês ver” - ou mais precisamente, pra pagar de culto pros amiguinhos na internet. Via de regra, assim como você, eu estou cagando pra programação da TV Cultura 99,9% do tempo. Eu não assisto. Você não assiste. Meu vizinho não assiste, nem o seu. Tirando meia dúzia de gatos pingados, ninguém assiste. E é por isso que a TV está “morrendo” - se tivesse audiência, se sustentaria com o dinheiro dos anunciantes, ou do “apoio cultural”, se você é do tipo que gosta de eufemismos. Mas é uma TV que não se sustenta. Dá prejuízo, não tem público. O Brasileiro (e isso inclui eu e você) prefere assistir Big Brother, Novela das 8, Futebol, Game of Thrones e The Walking Dead. 

Podemos chorar, espernear, achar isso inculto e chamar de lixo cultural à vontade. Mas na hora de ligar a TV, eu sei que seu dedinho aponta pra HBO. Querer que a TV Cultura seja “salva” tendo seus prejuízos cobertos com dinheiro público não é bonitinho, é um ato de egoísmo e de irresponsabilidade, especialmente num país onde as finanças não fecham direito. Esse tal de “dinheiro público” não nasce em árvore. É arrancado à força de cada cidadão e trabalhador do país, através dos impostos. Dizer que eu quero que o governo (seja qual for) sustente a TV Cultura, é querer que tire dinheiro da saúde, da educação, das compras da dona de casa, do setor produtivo, etc, pra financiar um canal de TV que ninguém quer assistir, mas que eu acho bonitinho. Eu jamais doei 1 real do meu próprio dinheiro à TV Cultura. Nem considero a hipótese de pagar pra assistir os programas. Aliás, pra ser BEM honesto, eu não me dou nem ao trabalho de clicar os anúncios do Adsense pra “dar uma forcinha”. Aposto que você também não. Se eu que “amo” a TV Cultura, não sou capaz de fazer o mínimo do mínimo, com que moral venho pedir que algum governo use “o dinheiro dos outros” pra sustentá-la por mim? Então, assim como você, eu gostaria muito que a TV Cultura continuasse viva. Mas gostaria se ela continuasse viva andando com suas próprias pernas, com uma programação de qualidade E que seja interessante para o público, que traga seu próprio retorno. Se for pra ser sustentada no prejuízo às custas do dinheiro arrancado da população, que morra logo. E descanse em paz.

Texto fantástico do amigo Clarion de Laffalot, não preciso sequer comentar.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Beijo gay é ofensa, até quando?



Ok, é apenas ficção, mas é assustador ver que pessoas acham normal, e até sexy, um personagem que paga menores para fazer sexo, estupra, engana, compra pessoas, enquanto ficam indignadas com beijos homossexuais em novelas porque ferem os bons costumes da família. 

Trair, mentir, estuprar, tudo bem. Mas beijo gay é ofensa!

Faz o seguinte queridinho(a): 

se mata, porque suicídio é ecológico.


terça-feira, 4 de agosto de 2015

Burrices da maioridade penal

Fico impressionada com as pessoas que acham que se você é contra a redução da maioridade penal é por que você nunca sentiu a violência na pele.

"E se você fosse a vítima? E se a vítima fosse alguém que você ama?", me perguntam. Ora, eu teria ódio, aqueles cinco minutos em que você pensa que, se tivesse uma arma, mataria o desgraçado. Mas ainda bem que não tenho uma arma, e ainda bem que o papel do Estado não é agir para me vingar, baseado na emoção, no ódio, na punição pela punição. Ainda bem que o papel do Estado é (ou deveria ser) investir no bem estar social para não gerar criminalidade, e não apenas querer encarcerar a que existe. Ainda bem que ainda existe alguma esperança para que o retrocesso da redução da maioridade penal não aconteça.

Toda vez que vejo ou ouço comentários do tipo "é só no Brasil mesmo que acontece essas coisas" fico pensando se a pessoa já esteve em todos os 193 países reconhecidos, os demais não reconhecidos e em todas as nações dentro de cada território deste planeta para ter a certeza de que em nenhum lugar mais possa acontecer ou ter acontecido situação parecida.

"Leva pra casa mesmo então."

Você pode (não) gostar de: