quinta-feira, 19 de junho de 2014

Anúncios e Campanhas publicitárias

   Ah... os intervalos publicitários da televisão. Um mal necessário ao qual todos nós já nos habituamos, e com o qual temos uma relação amor-ódio desde que éramos crianças e nos interrompiam os desenhos animados para nos venderem brinquedos ridículos e doçaria duvidosa.

Esta tolerância que décadas de publicidade forçada nos impuseram no organismo, pode em certos casos ser totalmente ultrapassada, sem qualquer aviso prévio. Isso acontece quando surge nas TV's um daqueles spots televisivos possuidores de um fator ruim tão elevado, que o telespectador vê o comercial e sente vontade de cortar os pulsos.
Já há uns tempos que não via um destes exemplos de mau gosto televisivo e como todas as calamidades cujo acontecimento se vai afastando no tempo, a memória destes anúncios começou a apagar e a assumir contornos mitológicos. Foi talvez por essa falsa sensação de segurança, que quando me deparei com a nova campanha publicitária da Brahma - IMAGINA A FESTA, eu fui apanhada de surpresa e redescobri a sensação de um ataque de convulsões em frente a televisão. Esta campanha, concebida pela Agência Africa, tem o seguinte efeito: nos pega de surpresa, não dói a princípio e pode levar ao vômito ao fim de 60 segundos.

Começando pelo spot que parece eterno que deu início à campanha, dá a sensação que a Brahma fartou-se de vender só cerveja e decidiu entrar no ramo da política, a propaganda é de uma marca de cerveja ou do governo tentando convencer que vai ser tudo maravilhoso no Brasil? 


Uma festa no meio de um engarrafamento, grande símbolo nacional.

O telespectador ainda tenta enfiar um lápis na boca de forma a não engolir a língua, e já os montes de esterco sobem a parada para o simbolismo foleiro/fascista. Vindo do nada, surge aquela voz dizendo: "
OS AEROPORTOS CHEIOS DE GENTE, OS TRIOS ELÉTRICOS PARANDO AS CIDADES, OS ATLETAS INCRÍVEIS, O PAÍS LINDO." Socorro. O Brasil é só Carnaval? Reveillon (aliás, que péssimo exemplo, quem é que vai sair de Nova Iorque pra ver o Reveillon do Rio?). O país dos "maiores clássicos". O país da festa. Daí quando gringo diz que tem macaco andando pela rua e que Manaus tem sucuri rastejando pelas ruas nego reclama. Quando turista vem aqui pra ver bunda e beber caipirinha, nego reclama. Ainda pensando, tem certeza que não é uma propaganda do governo federal tentando enfiar na nossa mente que nada do que estão fazendo é errado?


 Ronaldo me apontando o dedo e dizer pra pensar?

O que eles querem me dizer quando falam IMAGINA A FESTA? Ok, imaginando a festa, o inferno. O calor insuportável, a música eletrônica, a  música ruim tocando estupidamente alto e pessoas, muitas pessoas. O sinhô tá querendo enganar quem? A partir daqui, o anúncio segue os padrões normais deste tipo de anúncio, só clichê babaca. Todas as "trocas" da propaganda são exatamente isso: patéticas. Não há palavra no dicionário que explique melhor. "Aeroportos lotados? DE TORCEDORES EMPOLGADOS E ATLETAS INCRÍVEIS. Ruas congestionadas? DE TRIOS ELÉTRICOS. Imagine as praias, as cidades, o Brasil." 

Este anúncio, tão cuidadosamente elaborado pelos montes de esterco da Agência Africa, apesar de efeitos devastadores na saúde mental dos espectadores, é apenas o primeiro de uma onda de deficiência televisiva, cujo objetivo só pode ser o de levar ao suicídio coletivo de toda a gente que tem uma TV. No seu passo chega mais uma mão cheia de spots, com personagens que caem logo nas boas graças do espectador, se por boas graças entendermos uma vontade incontrolável de enterrar os polegares nos olhos de alguém. Todo o conceito desse comercial é: Ignorem o resto, só IMAGINEM A FESTA.

Outra coisa que não muda é o fator ridículo, que se mantém a um nível alto record ao longo de toda a duração do vídeo que parece que não vai acabar NUNCA. Estes anúncios são tão ruins, que eu me pergunto se não foram feitos de propósito, para que gente assim como eu falasse nisso. Se assim for, os montes de esterco são obviamente seguidores da máxima "publicidade negativa é publicidade". Qualquer que seja a razão, o fato de que me dá vontade de sufocar alguém com uma almofada de cada vez que uma merda dessas passa na TV, não deixa de ser uma realidade.

E me surpreendi muito quando toda essa besteirada defendida na propaganda foi elogiada em vários sites especializados em publicidade por aí. O ser humano me deprime.

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