Toda essa história da Charlie
Hebdo me faz pensar em algo que, por acaso, estava
refletindo na semana passada, acerca da intolerância religiosa. Por um acaso
a TV estava ligada no Faustão (é...) e, num desses quadros de humor, ou pelo
menos que se esforçava em parecer engraçado, apareceu um cara aleatório vestido
de Iemanjá. Tô bem longe de entender qualquer coisa de candomblé (e religiões
afro, de um modo geral) e não sei até que ponto pessoas que sigam a religião,
algumas das quais tenho em meu feed, tenham se ofendido com isso.
O ponto que eu levantei pra reflexão, naquela hora: e
se fosse uma sátira a Jesus,
Maria, algum dos apóstolos... enfim, qualquer personagem bíblico. Sabemos que
elas existem aos montes por aí, em particular pela internet, e geralmente
são achincalhadas sob o pretexto da tal "intolerância
religiosa" um conceito muito mais parcial do que deveria ser, porque
quando a sátira é na direção
de uma crença que necessariamente não é a sua, tudo bem, é apenas humor.
Longe de mim apontar o dedo e falar que "essa tá
certa", "essa tá errada", ninguém
tem moral suficiente pra julgar a crença alheia nesse mundo. A grande questão
aqui é: o mundo vai parar com esse tipo de humor, por vezes ofensivo a
algumas pessoas, ou vai simplesmente parar de ser hipócrita e aprender a rir de
si mesmo? Eu adoraria a segunda, mas a primeira é mais provável - embora
eu já saiba que
nenhuma das duas nunca ocorrerá e que continuaremos matando uns aos outros
por coisa pouca... como uma charge, ou um programa de humor pastelão.
Neste vídeo que o humorista Rafinha Bastou
compartilhou recentemente, só ouvi verdades.
Mas afinal, cadê a luta pela liberdade
de expressão quando se trata de situação no nosso país? Confesso que também me
deixou confusa a reação das pessoas em relação a esse ato de covardia na
França. Rafinha Bastos, com muitas de suas piadas consideradas de mau gosto,
eternamente julgado pela sociedade brasileira nada mais hipócrita. Enquanto
Rafinha Bastos é considerado um babaca pelas suas piadas, os cartunistas da
Charlie Hebdo foram transformados heróis da liberdade de expressão. Agora me
pergunto, as piadas da revista francesa não era de mau gosto por quê? Claro que
não justifica tamanha violência, alias nada justifica.
Apenas reflexões confusas.
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