domingo, 8 de fevereiro de 2015

Reflexões confusas sobre liberdade de expressão

Toda essa história da Charlie Hebdo me faz pensar em algo que, por acaso, estava refletindo na semana passada, acerca da intolerância religiosa. Por um acaso a TV estava ligada no Faustão (é...) e, num desses quadros de humor, ou pelo menos que se esforçava em parecer engraçado, apareceu um cara aleatório vestido de Iemanjá. Tô bem longe de entender qualquer coisa de candomblé (e religiões afro, de um modo geral) e não sei até que ponto pessoas que sigam a religião, algumas das quais tenho em meu feed, tenham se ofendido com isso.

O ponto que eu levantei pra reflexão, naquela hora: e se fosse uma sátira a Jesus, Maria, algum dos apóstolos... enfim, qualquer personagem bíblico. Sabemos que elas existem aos montes por aí, em particular pela internet, e geralmente são achincalhadas sob o pretexto da tal "intolerância religiosa" um conceito muito mais parcial do que deveria ser, porque quando a sátira é na direção de uma crença que necessariamente não é a sua, tudo bem, é apenas humor.

Longe de mim apontar o dedo e falar que "essa tá certa", "essa tá errada", ninguém tem moral suficiente pra julgar a crença alheia nesse mundo. A grande questão aqui é: o mundo vai parar com esse tipo de humor, por vezes ofensivo a algumas pessoas, ou vai simplesmente parar de ser hipócrita e aprender a rir de si mesmo? Eu adoraria a segunda, mas a primeira é mais provável - embora eu já saiba que nenhuma das duas nunca ocorrerá e que continuaremos matando uns aos outros por coisa pouca... como uma charge, ou um programa de humor pastelão.

Neste vídeo que o humorista Rafinha Bastou compartilhou recentemente, só ouvi verdades.



Mas afinal, cadê a luta pela liberdade de expressão quando se trata de situação no nosso país? Confesso que também me deixou confusa a reação das pessoas em relação a esse ato de covardia na França. Rafinha Bastos, com muitas de suas piadas consideradas de mau gosto, eternamente julgado pela sociedade brasileira nada mais hipócrita. Enquanto Rafinha Bastos é considerado um babaca pelas suas piadas, os cartunistas da Charlie Hebdo foram transformados heróis da liberdade de expressão. Agora me pergunto, as piadas da revista francesa não era de mau gosto por quê? Claro que não justifica tamanha violência, alias nada justifica.

Apenas reflexões confusas.


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